
Deputada afirma que mudanças podem ampliar o déficit de professores e dificultar o acesso ao ensino superior para estudantes do interior e populações mais vulneráveis.
A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) defendeu a manutenção das licenciaturas na modalidade de Educação a Distância (EaD) durante audiência pública realizada no dia 8 de julho, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O debate, solicitado pela própria parlamentar, discutiu os impactos das recentes mudanças nas regras para a oferta de cursos superiores a distância e reuniu representantes de instituições de ensino, estudantes e especialistas.
Para Greyce Elias, restringir a oferta de licenciaturas EaD representa um retrocesso para a formação de professores e alunos no Brasil, especialmente em um cenário de escassez de profissionais na educação básica.
A parlamentar destacou que milhares de brasileiros dependem da modalidade a distância para cursar uma graduação, principalmente aqueles que vivem em municípios sem oferta de ensino superior presencial.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância, Ricardo Holz, cerca de 73% dos municípios brasileiros não possuem instituições de ensino superior presenciais, o equivalente a mais de quatro mil cidades. Para ele, o fim das licenciaturas EaD atingiria principalmente a população mais vulnerável.
“Quando o Ministério da Educação extingue os cursos a distância no Brasil, ele está fechando as portas para as pessoas mais pobres, para as pessoas que são deficientes, para as mães solos, para pessoas que não têm outra oportunidade de acesso ao ensino superior. Nós temos que tratar da qualidade na educação superior, seja no presencial ou no ensino a distância”, afirmou Holz.
Greyce Elias concordou com a avaliação e reforçou que os impactos das restrições vão além dos estudantes, afetando diretamente o futuro da educação brasileira.
“O Brasil já enfrenta um déficit de professores na educação básica, e, ao invés de ampliarmos as oportunidades de formação para docentes, as novas regras tendem a restringir o acesso, a reduzir a oferta de vagas e também dificultar que milhares de brasileiros realizem o sonho da graduação e do exercício da docência. Os impactos dessas mudanças recairão sobre os estudantes e principalmente sobre o futuro da educação brasileira”, destacou.
A deputada defendeu que o caminho para garantir a qualidade da formação não passa pelo encerramento das licenciaturas EaD, mas pelo fortalecimento da fiscalização e da avaliação das instituições de ensino.
Para Greyce Elias, é possível elevar os padrões de qualidade dos cursos sem retirar dos estudantes a oportunidade de ingressar no ensino superior por meio da educação a distância, modalidade que, em muitas regiões do país, representa a única alternativa de acesso à graduação.
Ascom deputada


